Dicas de Viagem | Paraty – RJ

paraty

Sabe aquele lugar lindo que você fica namorando por séculos até que finalmente decide ir e chegando lá vê que não é nada do que você pensava… mas muito mais? Então, assim foi conosco quando decidimos ir à Paraty nas férias desse fim de ano. A cidade litorânea com jeitinho da Tiradentes mineira já permeava nosso roteiro imaginário por toda sua efervescência cultural, sua arquitetura charmosa e sua localização estratégica, pertinho de inúmeros paraísos. E foi com base nisso que num dia qualquer reservamos 5 diárias na Pousada Doce Paraty (ótima estrutura, bom preço e muito bem localizada, dentro do centro histórico), colocamos nossas coisas no carro e partimos.

paraty2

Para quem não conhece a cidade é importante dizer que Paraty tem meio que duas partes, sendo o centro histórico pequeno e mais próximo do cais e da praia, com ruelas pequenas de pedra e casinhas em estilo colonial, cheias de bares, restaurantes, pousadas e lojas de artesanatos super legais, e a parte “nova” na entrada da cidade em que sua estrutura com supermercados, farmácias, Subway e asfalto lembra o de uma cidade pequena qualquer.

paraty3

Obs.: Por que ir de carro? Após várias pesquisas decidimos que a melhor forma de ir para lá saindo de BH era mesmo de carro. Primeiro, não é assim tão looonge (600 Km, cerca de 9 horas indo devagar e parando ao longo do caminho pra almoçar e curtir a paisagem). Aliás a paisagem foi um item decisivo. Optamos pela BR 040 sentido Rio. Meu grande interesse era por percorrer a BR 101, famosa Rio-Santos e tida como uma das estradas mais bonitas do Brasil, por possuir kilômetros de cara pro mar com paisagens deslumbrantes. E valeu a pena demais. Outro fato é que Paraty não tem lá muita praia “nadável”. Assim, a opção é pegar um barco e fazer um dos vários passeios oferecidos pelas agências ou ir até regiões próximas, como Trindade (30 km de Paraty sentido SP) que conta com praias maravilhosas como a Caixad’aço e sua piscina natural ou São Gonçalo e São Gonçalinho (25 km de Paraty sentido Angra).

paraty4

Acima a Praia de Caixad’aço, uma das maiores maravilhas de Trindade. Abaixo, sua piscina natural.

Paraty é uma cidade com um número incrível de visitantes estrangeiros e boa parte de sua estrutura é, portanto, voltada para o turismo. Assim sendo, não é necessariamente barata. É comum encontrar uma opção de jantar para duas pessoas por volta de R$ 140,00. Mas há uma grande variedade de restaurantes e cardápios, o que ajuda a equilibrar as despesas. Assim fazemos, comendo um dia num lugar mais legal e outro em um mais simples. Dessa forma, R$ 200,00 por dia era o suficiente para comer bem, considerando o casal.

bloco

Cidade em festa e uma vida noturna agitada na Paraty pré-reveillon.

Ficamos na cidade 5 dias e deu pra conhecer boa parte do que queríamos e principalmente viver sua vida noturna, um dos principais diferenciais da cidade. A noite ninguém fica em casa e nessa época do ano então tinham bandas e palcos improvisados pelas ruas que dão toda uma atmosfera festeira para a região. O que deve se contrastar com outros períodos do ano. Com certeza Paraty entrou para aquele grupo de cidades em que vale a pena voltar. Como Ilha Grande, sequência dessa viagem e onde passamos um reveillon mágico. Mas esse é papo para outra história.

paraty6

 

O primeiro móvel a gente nunca esquece

Dizem que o prazer sentido após uma compra é explicado pela liberação automática de doses de endorfina, um neuro-hormônio conhecido por despertar sensações de alegria e bem-estar em nosso corpo. Se há de fato uma explicação médica para o fenômeno da compra, pouco importa, o que vale é que todo mundo sai mais feliz carregando uma sacolinha cheia de um bem recém-comprado.

Mas na última semana, ao sair do shopping, descobrimos uma nova forma de sentir sensações já tão comuns. Um misto de cumplicidade e união, mas muito mais palpável, quase físico, de que tudo aquilo planejado e tão presente em ideia está, finalmente, se materializando. Foi quando compramos nosso primeiro móvel. Nossa cama de casal.

Seria mais uma compra. Um produto comum pra muita gente. Mas pra nós foi o primeiro de muitos primeiros que estão por vir. O primeiro móvel, o primeiro apê, nossa primeira concepção de casal enquanto família, e tudo isso construído em dupla, com duas cabeças, mas um só coração e a alegria de saber que não estamos fazendo isso para ele ou para ela, mas para nós, definitivamente, e isso muda tudo. De repente não me vejo mais querendo comprar o meu frequencímetro ou a minha bicicleta, mas sim o nosso sofá ou a nossa TV.

É engraçado. Apenas a mudança de perspectiva faz com que as mesmas coisas sejam vistas de forma diferente. Por mais que o casório seja uma realidade, com planejamento de cerimônia etc, depois que deitamos umas 7 vezes sobre o colchão, afofamos os travesseiros, escolhemos a cor do baú e fechamos a compra, o contexto do evento ganhou novos contornos. E o casamento deixa de ser a festa, a missa, a bênção, pra ser uma escolha, uma construção, de tijolinho sobre tijolinho, e uma cama deixa de ser uma cama qualquer, mas sim a nossa cama, o nosso sofá, o nosso quarto, a nossa casa, e por mais simples que seja, a nossa vida.

Nossa casinha ainda não tem nada, na verdade ela nem sequer existe, mas a partir de agora ela já tem um ponto inicial, uma cama, dois travesseiros, um edredom e um par de noivos empolgados, doidos pra continuarem escrevendo juntos o início dessa vida a dois.