A incrível geração das mulheres que imaginam conhecer mais os homens do que eles mesmos

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Figura1

Nos últimos dias vi a timeline do FB e Twitter ser invadida pelo compartilhamento de dois textos, um do Estadão e outro da Folha de São Paulo, com autoras abordando, embora sob perspectivas diferentes, o papel da “nova mulher” e sua maneira de ser vista e compreendida (ou não) pelos homens. Sem entrar no mérito do que concordo ou não, mesmo porque os dois possuem argumentos que considero factíveis e outros nem tanto, o que mais me chamou a atenção foi a capacidade que ambas possuem de “compreender” e, consequentemente, enquadrar os homens em padrões pré-definidos de comportamento. É como se tivessem um catálogo da espécie com vários perfis e em cada um uma legenda que trazia abaixo suas descrições, gostos e características. Me senti como um eletrônico qualquer, uma TV, por exemplo, que possuía marca, cor, tamanho e qualidades definidas. Porém, cujo manual em coreano estava sendo lido por uma brasileira sem acesso nem ao português primário.

E assim sendo, pego por um momento de vácuo mental, onde os olhos olham, mas nada veem, tentei imaginar em qual perfil eu, apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, entraria? Sou homem. Sim. Hétero, com certeza. Adoro churrasco e cerveja. Não abro mão da minha peladinha aos sábados com os amigos. Tenho mais de 10 camisas de meu time do coração. Falo palavrão. Mas, adoro moda. Passo minhas camisas. Passeio aos shoppings com a minha Lu não é um martírio, mas um entretenimento agradável. Lavar a louça do almoço é algo natural. Varrer o quintal, também. Tanto quanto assistir às comédias românticas ou criar apelidos fofinhos. No mundo de estereótipos em que somos escalados, considerando o “homem atrasado”, o “machão comedor”, o “moderninho” e o “fresco demais”, em qual deveria mergulhar? Honestamente? Acho que nenhum. Não sou esses caras. Assim como os outros mortais da espécie também não. Cada ser humano é único, logo ninguém nunca poderá discriminá-lo antes de conhecê-lo. Sabe quando vocês mulheres saberão o que nós homens esperamos de vocês? Nunca. Porque para essa questão não existe o nós, mas sim o Patrick, o Fernando, o Felipe, o Paulo, o Rodrigo… e cada um de nós esperará algo diferente de vocês. Não perca tempo com essa pergunta idiota, porque a resposta para ela não existe. Pelo menos a resposta absoluta.

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Acho a capacidade do ser humano em rotular os outros uma atividade não muito confiável. Tanto para o rotulado quanto para o “rotulador”. Isso, por experiência própria, após quebrar a cara esperando que as pessoas agissem como eu achava que elas devessem agir. E adivinha? Muitas vezes elas não agiam, simplesmente porque todo o conjunto social, cultural, físico e psicológico delas era, invariavelmente, diferente do meu. Agora, se nos enganamos traçando pseudoperfis de familiares, como poderemos ter tanta certeza sobre um sexo oposto, de características mentais e fisiológicas diferentes das nossas?

A verdade é que não podemos ter certeza. Nesse aspecto, inclusive, acredito que os homens levem pequena vantagem na hora de se envolver, apenas por se preocupar menos com os estereótipos femininos, evitando assim pré-julgamentos que poderiam afundar um relacionamento antes mesmo dele decolar.

Por isso, mulheres autoconfiantes, cheias de si, com bolsas caras e a caixa de entrada do e-mail lotada, preocupem-se menos em encontrar um parceiro ideal – que vocês ACHAM que conhece e ACHAM que existe – e mais em encontrar um parceiro. A partir daí façam, juntos, que o relacionamento seja o ideal, ou o melhor que vocês dois conseguirem. Não se preocupe tanto em se preparar para um modelo de homem que você não conhece, pois a vida pode lhe oferecer um tipão totalmente diferente do esperado, e o pior, você pode se apaixonar perdidamente por ele e descobrir que toda aquela balela sobre a qual passou anos lendo não vale nada perto de um abraço que a deixe confortável. Caso contrário, poderá ficar pra sempre procurando por um perfil de almanaque encontrado apenas em novelas ou manifestos da “nova mulher”, de homens sem identidade que você julga conhecer, mas que o mais perto que chegará será apenas o namorado da amiga.

 

Créditos da ilustração: Felipe Parucci

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Estilo a dois

15 Comments

  1. Caramba, que texto, parabéns, ficou realmente muito bom, e de fato é verdade… Não existe isso e cada vez mais está tudo rotulado, uma opinião diferente e pronto, ferrou tudo…

  2. Eu ainda não tinha lido o texto publicado no Estadão, e agora o da Folha faz muito mais sentido…rs.
    Entre os dois, fico com o segundo. Na descrição da mulher ideal, no texto da Ruth, só faltou no final o homem dizer assim: “E eu estarei pronto para servi-la sempre!”
    Eu heim!?! Parece que é ela que não sabe lidar com homens independentes e está tentando reverter o jogo. “Quem foi educado para nos querer?”. OI? Então agora amor vem com uma cartilha? “Como querer as novas mulheres”. Sério, essa mulher tem algum problema….rs.

    O segundo foi um pouco mais sensato. Concordo muito que as mulheres tem que parar de colocar a culpa nos homens por estarem sozinhas.

    E aí que o seu texto entra fechando com chave de ouro. Depois de muitas desventuras amorosas, não só minhas como de várias amigas (afinal o ambiente universitário de Viçosa é bem propício para isso) percebi que a grande maioria dos fracassos está na expectativa que se cria em relação ao outro (e isso se estende aos diversos tipos de relação).
    A mulher sai com um carinha e no dia seguinte ele não te liga. “Que babaca, nem pra me ligar dar um oi, saber como estou. Aposto que não quer nada comigo!”. O carinha não tem nenhuma obrigação de ligar mas ela esperava que ele ligasse. E as vezes ele só teve um dia difícil e realmente não teve tempo. Citei um exemplo de uma mulher pq, como vc disse, acredito também que a mulher sofra mais do mal “criar expectativas” do que os homens.

    E não digo aqui que aprendi a me curar desse mal, muito pelo contrário sofro demaaais com isso, mas acho que melhorei bem minha percepção de que a culpa nem sempre é da pessoa.

    Assino em baixo do teu texto, ficou realmente bom.

    • Adoro ler big textos, Carol. Não se preocupe. Esse é inclusive um dos “problemas” que tento me policiar, já que nem todo mundo acha graça em lê-los. Quanto ao que disse, como poderia não concordar com tudo? Nossas expectativas viram desejo e o desejo vira obrigação, uma verdade absoluta. E quando nos frustramos, a culpa nunca é nossa, afinal, nossas expectativas deveriam ser um fato consumado. Ora. Paremos de nos rotular e viver a vida como se existisse para ela um grande manual. Porque não existe e acabamos descobrindo isso sempre da pior forma. Beijos

  3. Nossa! Você escreveu muito bem e escreveu a verdade.
    O final me tocou muito, deve ser porque eu tenho me sentido assim nos últimos tempos.
    Realmente o ser humano tem mania de generalizar, rotular, fica mais fácil pois assim sempre sai como a vítima da situação e usam aquelas famosas frases “os homens são todos iguais”, “toda mulher é louca” e blá blá blá
    Nós criamos muitas expectativas e idealizamos demais quando na verdade as coisas deveriam ser muito mais simples. Se cada um deixasse o orgulho de lado as relações fluiriam melhor.
    beijo

    http://karinapinheiro.com.br/vida-la-fora/

    • Exatamente, Karina. Viver não é fácil, mas temos uma capacidade gigantesca de deixar a vida ainda mais complicada. Por que não o contrário? Por que não tirar o melhor de cada momento, sem se preocupar tanto com as aparências ou com a expectativa do outro? Nem Freud explica. rsrs. E estou em seu time. Essa de que homem é tudo igual é péssima. rs
      Beijos

  4. Concordo com tudo!! Adorei o texto… e o “mano da barraca de milho” tá demais kkk
    Na minha opinião, as pessoas perderam a naturalidade, ficam tão preocupadas em estar dentro de algum padrão que a mídia mostra por aí, que esquecem de quem são de verdade, e que o bom de paquerar, namorar, é justamente ir se conhecendo aos poucos, descobrindo o outro e a si mesmo. O ato de conhecer alguém está igual ir ao mercado ou ao shopping, viu na propaganda, escolhe na prateleira e compra, logo logo vai ser moda gente andando com etiqueta de preço pendurada hahaha
    Bjoss

    • Hahahaha, e olha que andar com etiquetas fixadas já foi moda, mas com o preço dos produtos usados e não das pessoas. Talvez seja um passo antes, Fê. Espero não viver pra ver essa moda pegar. rsrs. Quanto aos padrões, isso é um fato. E como publicitário, me pergunto o quanto a mídia contribuiu para isso de vivermos num mundo sem personalidade. Parece tudo meio enlatado, inclusive os relacionamentos, na busca por uma família de margarina que não existe mais. Triste, mas com solução. Adoro suas opiniões. Qualquer dia vai escrever um post aqui pro Estilo. rs. Beijos

    • Com certeza, Luise. Aliás, é sempre assim, pra tudo. Temos uma grande dificuldade em reconhecer que não conhecemos algo, por isso é sempre mais fácil tentar categorizar e rotular, mesmo que baseado numa análise superficial e errada. Obrigado e volte sempre.
      Beijos

  5. Gostei muito do post. As pessoas procuram muito as pessoas ideais e esquecem que para ser feliz nao precisa de uma vida ideal . Até porque não ser perfeito faz com que a vida seja tão divertida

    • Exatamente, Rafa. Também pensamos assim… A beleza da vida está nas coisas mais simples, pode ter certeza… Aquilo que é muito perfeito parece falso. Vamos viver a vida o mais relax possível e ser felizes!! Beijos

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