Alianças de compromisso – Sim ou não?

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Figura1

Sexta feira. 17 e 55 e uma vontade nunca antes vista de que fosse ainda 8 horas da manhã chuvosa de uma segunda feira qualquer. Infelizmente, não era. O dia chegou. O aniversário dela também. A festa já estaria sendo armada. E nem a promoção conseguida horas antes naquele escritório sem perspectiva me empolgava. E como empolgar? Depois de tantos passeios aos shoppings e paradas repentinas em frente a tudo quanto é joalheria já não restavam mais dúvidas sobre o que ela esperava de presente. Além disso, havia a amiga. Ah, as amigas… Se elas soubessem o quanto nós viveríamos melhor sem os seus pitacos sobre tudo, provando não saber nada a respeito daquilo que achavam entender demais. “Você viu o tamanho da aliança da Flavinha? Fernando é que é um fofo!”. “E você, não vai usar uma não? Já passou da hora. Ainda bem que o seu aniversário está chegando. Quem sabe??? rsrsrs!”

QUEM SABE? Quem não sabe que a aliança não passa de um símbolo físico e frio feito à forja cujo único objetivo é estampar para a sociedade aquilo que para nós já está bastante claro?! Isso é tão óbvio. Mais uma manobra da mídia persuasiva da sociedade de aparências manipulando o pobre proletariado em prol da máquina capitalista do poder. Mas como convencê-la? Já falei mil vezes: aliança é aquela que está em nossos corações. Ora, que fofo, chupa essa Fernandão! Essa prova de amor não basta? Todo esse romantismo capaz de deixar até o Poetinha com inveja não será suficiente?

Talvez não. Os sinais foram dados. Todo homem sabe que quando uma mulher quer algo e não tem a piedade de nos falar claramente, evitando assim milhões de minutos gastos com a dificuldade de interpretação, elas dão dicas. E as dela foram claríssimas. Um briefing completo, incluindo até a numeração do anular. 15, ela disse, pra eu nunca me esquecer. Como se estivesse tão preocupado em me lembrar.

Figura2

Além do mais, sempre achei isso de aliança de compromisso meio fora de moda. De casamento ainda vai, tudo bem, felizes para sempre, douradinha e tal. Mas de compromisso? Qual o sentido? Um metal prateado na mão direita indicando que aquele gado já tem dono. Gado? Que horror. Não posso falar assim da minha princesa. Mas chamá-la de vaca ainda a deixaria menos desapontada do que quando abrir aquela caixinha de veludo e descobrir dentro um belo par de brincos. Não importa se eles me custaram todo o crédito do cartão e ainda dividido em 10x – quase uma geladeira.

Não. Talvez esteja sendo radical demais. Ela merece. E não serei o primeiro da pelada a me curvar frente a mais essa convenção social. Além do mais, Cazuza já disse, o amor é brega. Posso superar. O que não posso é chutar mais uma vez pro alto a chance de marcar um golaço. Por que não ceder dessa vez? Não é esse o grande malabarismo do amor? Ela vai amar. A amiga vai invejar. E talvez até o sogro veja, finalmente, que eu sou pra casar. Não agora, mas um dia. Vai ver até eu me acostumo e começo a gostar.

Tá certo. Vou nessa. Tá quase na hora, mas ainda está em tempo de passar no shopping e trocar o maldito par de brincos por um presente não tão original, mas que a alegrará de verdade, e pra mim, hoje, isso é tudo que importa.

 

P.S.: Se você é o detentor dos créditos de alguma das imagens utilizadas nesse post, entre em contato. Teremos o maior prazer em creditá-las à você.

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Estilo a dois

16 Comments

  1. O texto está mesmo com a maior pinta de crônica de jornal rs excelente!
    Olha…no comecinho do namoro eu até tinha certa expectativa, confesso que mais pela influência dos outros do que por vontade própria, mas tbm não gosto de nada que seja imposto, muito menos pra fazer pose aos fofoqueiros de plantão. Então tomei a frente rs e peguei um pingente de coração que ganhei ainda bebê, e dei de presente pra ele…nem era alguma data especial e juro que não esperava nada em troca, mas na semana seguinte ele me deu a corrente com o pingente de coração tbm 🙂 brega ou não, amo demais e não tiro do pescoço kkk.
    Bjoss

    • Hahahaha. Curioso, Fê! Cê acredita que nossa “primeira aliança” foi também um pingente de coração? Porém, no nosso caso, no alto dos 15 anos e sem grana pra nada era um com cordinha de elástico mesmo, sendo um com o coração e outro com a chave. Depois disso usamos algumas alianças e hoje não usamos. Não por preconceito. Não teria o menor problema em usar, porém estamos bem assim. Por isso optamos por um texto de um personagem qualquer, e que por mais cético que pareça ser, também “cedeu” aos caprichos do amor. Não queria um texto opinativo, já que cada um tem sua opinião quanto a isso e não cabe a nós decidir o certo ou errado. Se vc está feliz com o pingente de coração, que continue com ele por décadas e décadas, e que seja eterno enquanto dure. rs. Grande beijo.

    • Obrigado, Lala. Que bom que gostou! Quanto a ser colunista, acho que não. Prefiro escrever pros leitores amigos do blog que têm mais paciência e carinho com nossos textos. rsrs. Beijo, querida.

    • Hahaha. Obrigado, Rodrigo. Se for assim, podemos montar todos nosso jornal e cada um escrever um cadin, sendo vc, um dos redatores chefes. rsrs. Abraços.

  2. Depois daquele texto lá de dia dos namorados certamente esse é o seu segundo melhor texto. Um salve pro chupa fernandão hahahahahahahAhahahahahhaha vcs são de mais…

    • Concordo plenamente com a Indy!! Segundo melhor texto, só não supera o do dia dos namorados hahaha parabéns pelo blog, está cada dia melhor!! Grande beijo

  3. Owwnn!! Adorei! Muito bonito o texto! Parabéns Patrick.
    Eu sou mais do tipo que a verdadeira aliança está em nossos corações, mas concordo que dar alegria a nosso parceiro não tem preço.
    #ficaadica

    • Obrigado, Bel! Ficamos felizes que tenha gostado.
      Vindo de uma pessoa que lê tanto, esse é um grande elogio.
      Volte sempre, querida.
      Beijos

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