Ele, ela e algumas descobertas

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cronica

Ele queria. Ela também, mas não podia. Não assim. Só tinham ficado duas vezes. Não estava certo. O que ele sairia falando pros meninos da rua?

– Só quero ver. Juro. Não vou tocar.

– Não.

– Você não confia em mim?

– Não.

– Sério?

– Não tenho porque confiar.

– Poxa. Então tá bom.

Sério? Já acabou? Não vai nem insistir mais? Frouxo. Ela cedeu. Dando linha.

– Ta bom. Só dessa vez.

Ele viu. Ficou maravilhado. Não era a primeira vez, mas saber que o drama havia funcionado era excitante. A arte da sedução e persuasão camuflada de inocência, mas cheia de atrevimento.

Não se aguentou e tentou tocar. Ela esperava por isso. Na verdade, esperou que ele tivesse esperado menos para tentar.

– Ei! Tira a mão! O combinado era só ver.

Não podia deixar. Pelo menos não tão facilmente. Teria dormido frustrada se ele não tentasse. Mas homens são previsíveis, havia escutado sua mãe contar à manicure, e esse não era diferente.

Papai já já estará chegando para me buscar. Por que ela faz tanto doce? Se como centroavante rompedor o ataque foi impedido, melhor passar ao meia clássico, cadenciado. Num passe certeiro, defino a partida e parto pro abraço. Caixa!

– Não farei nada que você não queira. Mas prometo que você também vai gostar.

Aquele papinho mole já a estava deixando impaciente. Será que ele não sabe que é a dificuldade que valoriza o passe? Se eu não quisesse, já teria cortado. Tente de novo, mané, seu pai já deve estar chegando.

Ele tentou. Agora, diferente. Colocou a mão dela entre suas duas. Em pouco tempo, uma permanecia imóvel, entre seus dedos, mas a outra subia, lenta e geograficamente precisa.

Aprendeu. Ela pensou.

Consegui. Ele comemorou.

Mais tarde, enquanto voltava pra casa no carro com seu pai, ele pensava em como a exploração havia evoluído poucos mas preciosos centímetros. Terreno conquistado. Da próxima, não admitiria recuar. Continuaria de onde havia parado, levando consigo um aprendizado importante: que assim como no futebol, no amor o jeito sempre leva vantagem sobre a força.

Já ela, deitada em sua cama ainda assimilava. Se o homem é prático como falam, depois de hoje tinha outra certeza: eles também adoram um teatro.

 

P.S.: Se você é o detentor dos créditos de alguma das imagens utilizadas nesse post, entre em contato. Teremos o maior prazer em creditá-las à você.

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Estilo a dois

4 Comments

  1. Hahahaha ótimo!! Os mais espertos e curiosos amam um teatro mesmo, ainda mais na fase das descobertas, quando ninguém sabe direito o que fazer…rsrs
    Quem não arrisca, não petisca 😉
    Bjss

    • Hahaha, bem na base do quem não arrisca, não petisca mesmo, Fê. É tentativa e erro, até aprender. É uma loucura, mas cada dia uma nova conquista. Se soubéssemos antes, valorizaríamos mais essa fase. Um beijo.

  2. Luíza e Patrick, vocês estão de parabéns pela forma com a qual têm conduzido o Blog. Muito equilibrado, fino e elegante.
    Revivi minha fase de inexperiência e rememorei algumas conquistas, mas o que mais me deixou satisfeito foi o fato de vocês terem colocado a questão em pauta. É linda a arte da conquista. Que pareça teatro a alguns, mas, nada substitui aquele frio no estômago e nem aquele calor que sobe pelo peito e faces.
    Como era difícil pegar no sono depois de algumas “pequenas” conquistas e avanços por territórios tão encantadores.
    Em tempos de relações tão banalizadas e de estratégias de conquista padronizadas, quase que Fast food, eu, ainda, me encanto com um sorriso um pouco encabulado, mas altamente charmoso.
    O texto é um chamado a valorização de cada fase e de respeito ao tempo necessário para se curti a maturação natural do processo de sedução.
    Beijos.

    • Meu amigo Geraldo, que alegria ler seu comentário.
      Ficamos muito felizes em saber que vc está acompanhando e gostando do blog. O bom de se fazer algo nosso, sem interferência de nenhum outro agente é que podemos usá-lo com um espaço livre, para postarmos aquilo que gostamos e que para nós vale a pena passar pra frente. E é um orgulho saber de pessoas que de alguma forma se identificam com tal conteúdo. Por isso, há dias com dissertações, outros com poemas, crônicas, enfim, aquilo que nos der na teia e que gostaríamos de botar pra fora. E nesse sentido, somos entusiastas do relacionamento, então esse tema é sempre retomado.
      Sobre o post em questão, esse era um tema que queria discutir há tempos. Mas sem um sermão do que é certo ou errado. Só mesmo relatando uma relação fictícia que poderia ter acontecido com qualquer um de nós por volta dos nossos 15 anos. E se vc entendeu assim, já me dou por satisfeito. Ter um leitor como vc engrandece o blog. Obrigado e volte mais vezes. Grande abraço!

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