Treinamento para filhos | Ter ou não ter um cãozinho?

Desde que eu me entendo por gente lembro-me de ter um cachorro em casa. Tinha vira-lata, cachorro de raça, filhotes e mais filhotes para doar. Com um quintal grande era fácil convencer meu pai de que eu queria mais um filhote. A Luna, nossa Poodle que hoje tem 18 anos, eu mesma escolhi. Se for pensar bem, ela fez parte de mais da metade da minha vida, e em praticamente todos os momentos ela estava presente.

Luna: velhinha cãopanheira.

Com o Patrick não foi diferente. Quintal grande, cachorros e mais cachorros: Vira-lata, Pastores (Belga, Alemão, Malinois), Dobermann, Rottweiler e uma infinidade de Nero e Nilo (não sei porque repetiam tanto os nomes, rsrs), de modo que crescer e viver na companhia de um amigão de 4 patas não é só normal, como faz parte da concepção de família dele.

Jolie, quanta delicadeza! Quem vê assim até pensa.

E foi assim, até nos casarmos. Antes de sairmos da casa dos pais eu vivia cercada pela onipresença da Luna com seus passinhos minúsculos ao lado da minha janela toda manhã e com a molecagem da nova habitante Jolie, nossa linda pastora alemão de energia interminável (sério, sabe o Marley do filme? Ela é 10x mais agitada, acredite). Já ele não desgarrava da doce Luna (sim, o mesmo nome da minha, eles tem esse probleminha), também pastora, mas uma lady totalmente diferente da Jolie e a Serena, vira-lata fofinha e peluda que não cansa de pular na gente.

Luna sendo Luna. Serena sendo Serena.

Quando nos casamos, toda essa ninhada ficou na casa dos pais. Afinal, é impossível conceber dois pastores dividindo espaço com a gente em um apê de 70 metros quadrados, enclausurados sozinhos durante o dia. Foi triste. Acho que até mais pra ele, já que sempre foi muito apegado. De modo que conversamos sobre, um dia, quem sabe, adotarmos um filhote.

Era uma vez um jardim. A verdadeira face da Jolie.

Esse é sempre um assunto em pauta. Ele sonha com um Beagle, eu penso em alguns mais dóceis e tranquilos. Mas a verdade é que decidimos, por ora, adiar esse sonho. Com 4 meses de casados estamos, enfim, se adaptando à nossa rotina e por mais que gostaríamos, não cabe um cachorrinho em nossas vidas agora. Não é só a falta de espaço/estrutura. É a falta de tempo de qualidade para ficar com ele. É a falta de humanidade em deixá-lo preso todo dia em um lugar em que ele mal terá como gastar sua energia, na solidão por 10, 12 horas. E é abrir mão de um estilo de vida que pela primeira vez estamos tendo um gostinho, de sermos livres, mesmo estando casados. De sermos desimpedidos para pegarmos o carro e viajar sem ter que avisar a ninguém ou conciliar com a família para ficar com ele. É não se ver obrigado a nenhuma responsabilidade que tire o nosso tempo de estar junto, uma das coisas que mais prezamos (porque é óbvio que se dedicar a cuidar de uma vida como a deles exige extrema responsabilidade). É querer não ter rotina dentro da própria rotina. (É também preservar todos os móveis novinhos de um lar recém-criado – Ai meu sofá branquinho!). Enfim, é aceitar que hoje precisamos priorizar, e priorizar significa abrir mão. Corta o coração vê-lo se despedir da Luna e tem horas que adoraria levar a Jolie pra casa, mas no momento escolhemos nos curtir e aproveitar a delícia de um período novo em nossas vidas, deixando o terceiro membro da família para daqui alguns anos. Quando isso acontecer, talvez nossa família seja mais completa (estilo a três?), e será um caminho natural percorrido com paciência e aceitação daquilo que podemos oferecer.

E você? Tem um animalzinho na família (gato, cachorro, periquito)? Casou e levou o cãozinho? Deu certo? Pensa em levá-lo se casar? Conta aí!