Jurassic World | A espera valeu a pena

JW

Aviso: não contém spoilers, mas se você espera uma análise crítica e cerebral sobre o novo sucesso hollywoodiano Jurassic World, por favor, interrompa a leitura e acesse um site cinéfilo-cult qualquer.

Desde que assumiram a gravação do novo parque dos dinossauros, 22 anos depois do último grande filme do gênero (já que O Mundo Perdido – Jurassic Park (1997) e Jurassic Park 3 (2001) não foram realmente aquela Brastemp), estava contando as horas para correr logo para bilheteria e comprar o meu ingresso. Demorou, mas depois de ler um milhão de matérias sobres os bastidores e até baixar o jogo promocional do filme, eis que no último dia 11, finalmente, a película iniciou nos cinemas do planeta. Não pude ir na estreia da quinta, mas no sábado eu e Lulu estávamos lá, firmes e fortes, mendigando por poltronas numa sala absolutamente abarrotada para conferir de pertinho o novo filme da série.

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Com mais de duas décadas depois do icônico Jurassic Park a tecnologia roubou a cena e se apresentou ao longo de todos os 125 minutos do filme, seja na estrutura invejável do parque (que já está em pleno funcionamento e possui atrações de todos os tipos), com hologramas, veículos bolhas e salas de controle ou na computação gráfica que eleva o realismo das criaturas a outro patamar. Ta certo que até os dinos do Jurassic de 93 já eram fantásticos, mas o nível de detalhamento de Jurassic World é impressionante. Aliás, a continuação (que não é tãaao continuação assim) traz referências ao primeiro filme da franquia o tempo todo, desde a trilha sonora espetacular, até a camisa do funcionário apaixonado Lowery ou dos jeeps marcantes encontrados pelo caminho. Os próprios personagens lembram a construção do primogênito da série, com a dupla de irmãos perdidos, o bilionário excêntrico querendo brincar de Deus, o protagonista rústico que leva jeito com os animais. Tudo lembra o clássico, até a cena final que tira do ostracismo o velho dono do pedaço de 93, mostrando que quem é rei nunca perde a majestade.

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Com ação sem rodeios do início ao fim, Jurassic Word não comete o erro clássico de filmes que prometem muito, mas acabam por esconder o jogo. Nele, há overdose de dinossauros e a protagonista Indominus Rex (um híbrido/inteligente/máquina de matar/lindo de se ver) aparece de corpo inteiro em centenas de cenas. Bom para os fãs que recebem aquilo que foram buscar. Detalhe também para os protagonistas humanos da história, Chris Pratt, do mega elogiado Guardiões da Galáxia e vive Owen, um instrutor que faz um ótimo trabalho treinando os Velociraptors (novamente vedetes do filme) e a boneca Bryce Dallas Howard que vive a Claire e parece propositalmente artificial, como mais uma criação perfeita da fábrica de sonhos da genética. Vicent D’Onofrio (o Wilson Fisk do Demolidor que está tão diferente de cabelo e barba que se a Lu não fala eu nem perceberia) é o vilão da parada.

Não vou resumir a história para não atrapalhar a experiência de quem ainda não viu o filme, mas posso falar que Jurassic World não frustrou em nada esse velho fã aqui. Aliás, pelo contrário. Como diz em Hogwarts, a película “excede expectativas” e contrariando algumas críticas a verdade é que eu e a Lu adoramos. Só espero que os recordes quebrados com a bilheteria monstra desse primeiro fim de semana de exposição garanta uma continuação do mesmo nível para a franquia. E que não tenhamos que esperar mais 20 anos por isso.

Demolidor | Finalmente uma série à altura do herói 

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A coisa boa em terminar os episódios de uma série querida (se é que existe algo bom nisso) é a possibilidade que se abre com um tempo livre para assistir novas e imprevisíveis histórias. Colocar em dia aquele seriado que está todo mundo comentando e só você ainda não viu ou arriscar uma nova trama escondida nas profundezas de um serviço de streaming qualquer. Pois então, foi motivado pelo término simultâneo de The Walking Dead, House of Card e a nunca volta de Orange is the New Black que começamos a assistir o mais novo fenômeno da Netflix, a história do homem sem medo, Demolidor.

Com uma temporada inteira disponível na net foi irresistível não assistir tudo de uma vez. Aliás, essa talvez tenha sido a temporada que assistimos em menos tempo seus 13 episódios, considerando todas as dezenas de séries que já vimos. A história é muito envolvente e graças a Deus, não foi necessário assistir em conta gotas, como a HBO faz com a gente em Game of Thrones, dando punhaladas semanais de 50 minutos que mais parecem 5.

A trama conta a história do super herói Marvel Matt Murdock, um jovem que quando criança perde a visão em um acidente com produtos químicos. Os mesmo produtos que causam a perda da visão em Matt, fazem com que seus outros sentidos sejam mega apurados. São esses super sentidos de audição, olfato e tato, mais uma incrível sede de justiça influenciada pela sua infância conturbada que criam o alter ego que dá corpo ao Diabo de Hell’s kitchen (uma espécie de Gotham City do herói), conhecido como Demolidor.

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Pra quem já conhece a história dos quadrinhos é um prazer reencontrar velhos personagens como o mestre do crime, Wilson Fisk. Com certeza, essa é uma das melhores adaptações de HQ’s, infinitamente superior ao Demolidor dos cinemas estrelado pelo mais ou menos Ben Affleck (Deus queira que ele surpreenda na pele do homem morcego). Aliás, Charlie Cox, ator que da vida ao protagonista da série faz o papel de forma muito cativante. Destaque também para o claramente conturbado sociopata Vincent D’Onofrio (Fisk) e a bela Deborah Ann Woll, intérprete de Karen Page.

Com um clima intenso, uma atmosfera sombria e vários pontos de tensão, Demolidor se confirma como uma bela dobradinha da Netflix  com a Marvel que tem aprendido com primor a valorizar seus heróis menos populares. O sucesso merecedor da série fez com que ambas as empresas já confirmassem uma segunda temporada para o ano que vem. A nós, só resta esperar ansiosamente, como sempre fazemos, buscando novas tramas. E já que estamos no clima de super-heróis, acho que vamos dar uma chance para Arrow e The Flash. Vai ser difícil ser tão bom quanto Daredevil, mas quem sabe? Essa é a delícia da coisa.

Quem é você?

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Quem é você que acha que 18 é idade para se decidir alguma coisa, especialmente aquilo que fará pelos próximos 35 anos?

Quem é você que acha que ser bem sucedido é igual a ganhar mais do que você precisa e não fazer aquilo que realmente valoriza?

Quem é você que acha que uma vida ideal é se formar aos 20, se casar aos 30 e ter uma família margarina aos 40?

Quem é você que acha que uma mulher tem menos vontade de transar do que o homem e por isso não deve chamá-lo para subir no primeiro encontro?

Quem é você que acha que sexualidade é opção? Alguém alguma vez já te perguntou se você queria ser hétero?

Quem é você que acha que todo mundo quer ser pai? E quem é você para criticar aqueles que são, independente da idade?

Quem é você que acha que todo homem gosta de futebol e que toda mulher sonha em se casar?

Quem é você que acha que ser bonito é vestir um manequim 36 ou desfilar um tanquinho na praia?

Quem é você que acha que o deficiente físico merece mais compaixão do que o seu respeito? Já pensou que não há dificuldade mais limitante do que a moral (ou a falta dela)?

Quem é você que acha que ser chefe é falar mais alto, humilhar e oprimir, sem entender o que de fato seja liderar?

Quem é você que acha que uma mulher precisa casar virgem? E quem é você que acha que ela não tem o direito a isso se ela quiser?

Quem é você que acha conhecer alguém apenas pela roupa que veste, pela maneira que fala ou pela música que ouve?

Quem é você que acha que não se pode ser feliz sozinho e que ser solteiro é solidão, não opção?

Quem é você que acha que é preciso ser cristão para ter fé? E quem é você para julgar a forma que cada um tem de crer, mesmo que não creia em nada?

Quem é você que acha que alguma vida vale mais do que outra? E quem é você para achar que tem o direito de tirá-las?

Quem é você que acha que humanidade está ligado a raça, credo, sexo ou cultura? Alguém já definiu caráter por gênero?

Quem é você que acha que é preciso ser padrão para ser aceito?

Quem é você para julgar sem conhecer? Quem é você para definir o que eu devo fazer?

Afinal, quem é você?

 

Créditos da ilustração: Mel Gross Cartoons

Cultura | Better Call Saul

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Para qualquer amante de séries que se preze todo começo de ano é uma tristeza danada. Como quase todos os grandes sucessos param as filmagens ou encerram suas temporadas no fim do segundo semestre, esse costuma ser o período em que você se pega assistindo até ao Caldeirão do Hulk ou BBB por falta de opção melhor na TV. Ainda bem que já passamos pelo pior e alguns de nossos queridões, como The Walking Dead, Homeland, House of Cards (no meu caso) e The Vampires Diaries (no caso da Lu) já estão de volta. Outros como GoT e Orange is The New Black ainda não voltaram, mas graças a Deus nem só de recomeços nós vivemos. Por isso, hoje vou falar de uma série que estreou em 2015 e já com toda a pompa do mundo conquistou um lugar em nossa prateleira: Better Call Saul.

Derivada do sucesso estrondoso de Breaking Bad (ou A Química do Mal para a Record rs), Better Call Saul conta como Jimmy McGill, um advogado fracassado e de casos medíocres se transformará em Saul Goodman, homem capaz de manter até grandes criminosos “dentro da lei” e um dos maiores parceiros de Walter White. A trama, aliás, se passa 6 anos antes dos dois protagonistas se conhecerem e traz muitas referências de sua irmã mais velha, como alguns personagens que aparecerão logo de cara.

Dirigido pelo talento raro de Vince Gilligan (também diretor de BB), Better Call mantém os ótimos planos e enquadramentos que já fazem sucesso, além de uma narrativa parecida com Breaking Bad, de começo arrastado, mas que vai esquentando ao longo dos episódios. O início do primeiro episódio, aliás, traz um flash ahead mostrando a nova vida de Saul logo após seu final em BB.

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Mas se as referências existem (e são muitas) Bob Odenkirk tem tudo pra ser o ponto de diferenciação entre as duas séries. Com suas caras, bocas e tiradas engraçadíssimas o personagem tem talento pra viver seu próprio caminho sem ficar à sombra do sucesso de Mr. White. Isso porque o ator é muuuito bom. E o personagem, com suas fragilidades e inconsistências, mas mesmo assim muita determinação tem uma capacidade enorme de gerar um carisma imediato.

Com poucos episódios lançados pela AMC e distribuído no Brasil pelo Netflix, ainda é cedo para dizer se Better Call Saul poderá se tornar tão grande quanto sua irmã. Mas certo é que seu começo promissor e cheio de expectativas já garantiu a ela um lugarzinho entre nossas sequências preferidas.

P.S. E Vince, dê o seu jeito de colocar logo o Sr White e o Pinkman nessa história, mesmo que só um minutinho. Todo mundo tá louco pra ver, ora!