Filhos, interrogação.

Nascer, crescer, multiplicar e morrer. Desde que o mundo é mundo esse é o percurso natural da vida e da forma como ela é compreendida em sua maioria. Sim, maioria, mas não sua totalidade pois dessa equação um elemento ainda é facultativo, o multiplicar.

Giovana: afilhada de coração <3

Giovana: afilhada de coração <3

Casais que tomam a decisão de não terem filhos formam uma parcela cada vez maior da população. Um fenômeno mundial de pessoas que optam por não colocar uma criança no mundo. E se essa era uma escolha até então impensável para nós, hoje é totalmente compreensível. Os motivos são os mais variados e todos eles muito pertinentes.

Falta de segurança: as manchetes diárias dos jornais nos assustam. Todo dia um novo exemplo de violência, injustiça e intolerância ganha destaque na imprensa. O mundo não parece melhorar e colocar uma criança nesse ambiente truculento, poluído e viciado parece mesmo amedrontador.

Custo: um filho é fofo, mas também é caro. A cada ano surge um novo estudo com números que revelam o alto gasto com uma criança do nascimento até seus 18 anos. “Ah, mas não é assim, onde come um, comem dois”. Bem, pode até ser. Mas é certo que todo pai busca dar o máximo ao seu filho, tentando oferecer a ele mais do que teve quando criança. Dividir o pouco que tem e ter um bebê sem a consciência de que poderá dar a ele o que merece pode muitas vezes parecer irresponsável.

Tempo: sem dúvida para nós, hoje, o maior problema disparado! Em uma vida atribulada de compromissos que preenchem nossas agendas e que fazem da geração Y o maior exemplo de workaholic, é bastante difícil conciliar as variáveis “vida profissional bem sucedida” e “pais presentes e engajados com a criação do filho”. Um desafio para essa geração e um impacto grande para as próximas.

Escolha de vida: o casal tem dinheiro, tempo, não se preocupa com a violência, mas ainda sim não pensa em ser pai/mãe. Não querem acordar de madrugada com bebê chorando, não querem deixar de viajar a dois, não querem dividir o que conquistaram ou abrir mão de uma liberdade/autonomia que a vida em casal permite. Ou ainda, não gostam de crianças. Escolha. Pura e simples. E totalmente lícita e justa.

Em nosso caso, contudo, crianças complementam o imaginário de uma vida feliz. Somos filhos de famílias com casas cheias, com pai, mãe, irmãos (no plural), cachorro, gato, periquito. Talvez por isso nossa concepção de lar seja o formato “tradicional”, de modo que esperamos sim num futuro ter um par de guris correndo atrás da gente, puxando pela calça e pedindo um punhado de balas ou um brinquedo da loja.

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Ainda é cedo. Tanto eu quanto a Lu adoramos crianças e ela sempre fala que acredita que só veio ao mundo mulher com o objetivo de ser mãe, e isso é algo que eu adoro nela, pois não vejo ninguém melhor para ser mãe dos filhos que eu espero ter. Mas a vida é uma caixinha de surpresas. Coisas acontecem, cenários se alteram e opiniões mudam. Filhos para nós é algo esperado, mas a ideia de não tê-los é também cada vez mais coerente de modo que nenhuma decisão seja irreversível. Como sempre, vamos vivendo por etapas. Planejando, mas também esperando o que a vida tem para nós.

Eu namoro, tu casas, eles engravidam

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Você nasce. Cresce. Quando adolescente curte os primeiros rolês no shopping, o primeiro porre com sua tribo. De repente está trocando os primeiros beijinhos. Nessa nova fase você descobre infinitas possibilidades. A partir daí, todo passeio, festa, sala de aula e reunião com os primos passam pela paquera. Pelo flerte. Que evolui para o sexo (também a primeira vez) ou não.  Você amadurece mais um pouco e começa então a namorar. A mina é legal. O cara é engraçado. Por aí vai. Namora mais um pouco. Termina. Começa com outro. Termina. Volta. E a vida caminha. De repente pular de galho em galho não te agrada tão mais. Você tem menos tempo devido aos compromissos da vida e então opta por qualidade ao invés de quantidade. As coisas caminham bem. Vocês se gostam, se respeitam, a vida profissional também evolui e o dinheiro não está transbordando mas já te oferece um pouco mais de estabilidade. Nesse momento as pessoas começam a perguntar. Vocês começam a se perguntar. Está na hora de casar? Decidem que sim. E casam-se. Vivem. Viajam. Estão felizes. Realizados. Ou não. Começam a sentir falta de algo que ainda não tem. Como? Pois é. Um próximo passo. E de repente é isso que é esperado de vocês. Natural. Os métodos contraceptivos começam a ser negligenciados. Vocês não estão oficialmente tentando. Mas também não estão tão preocupados em impedir.  Até que um dia recebem a notícia. Vocês estão oficialmente grávidos. Uma alegria nunca antes sentida. Mas um medo proporcional à responsabilidade de colocar um novo ser no mundo. Uma forma diferente de encarar a vida e mais uma etapa cumprida.

Essa não é uma história real. Mas pode muito bem ser para alguns. E isso, definitivamente, não representa um problema. É algo natural, cultural e talvez até mesmo fisiológico, já que o corpo humano é movido por hormônios que muitas vezes influenciam diretamente em nossos hábitos. Mas confesso que nos últimos meses temos refletido mais sobre como a vida parece ser claramente dividida em fases e como nós nos guiamos (ou somos guiados) por elas.

Veja só que curioso. Hoje, entre os 25 e 30 anos, temos grande parte de nossos amigos com a mesma faixa etária e em uma fase da vida similar. Somente em 2016 temos, além do nosso, 4 outros casamentos, todos eles de casais semelhantes. Isso já aconteceu com você? Aposto que sim.

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Paralelamente a isso temos outra remessa de amigos, de mesma idade ou um pouco mais velhos que optaram por casar antes. Esses, normalmente acima de dois anos de casados, estão já em outra fase e pensando na maternidade, seja de maneira mais distante ou num futuro bem próximo. Final de semana passado fizemos as contas e descobrimos que temos ao todo, 7 (S-E-T-E) casais de amigos grávidos. Incrível! Teremos que ter drinks sem álcool para as gestantes ou espaço kids para os babys em nossa festa. Eles já estão no next level da brincadeira.

Pode parecer coincidência, mas é inegável que temos um padrão. Uma geração que se comporta com base nessas referências. Daqui alguns anos seremos nós a pensarmos em filhos e muito provavelmente nossa criança nascerá no mesmo ano do filho de nossos amigos que estão se casando agora.

Talvez para as próximas gerações esse senso linear e quase previsível de construção de família possa se esvair. Mesmo porque a concepção de família tem mudado, uma vez que elas são cada vez mais diversas e cheias de possibilidades. Essa representará uma mudança significativa da formas como nos relacionamos com o mundo ao nosso redor e para com aquilo que entendemos que sejam nossas obrigações. Mas isso é papo para um próximo post. Por ora, continuemos nos preocupando com os casórios de 2016 e em ninar essa leva de neném gostoso que está para nascer.

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