Achamos nosso apê! E ele é tudo o que a gente quer

Sabe aquele amor a primeira vista? A sensação de que aquele cantinho nasceu pra ser sua morada, que faz seu coração bater mais forte, suas mãos suarem de emoção e você dizer, MEU DEUS, É ESSE?! Então, ela não acontece. Pelo menos não assim, com todo esse show pirotécnico, porque você pode até se apaixonar de cara, mas é a construção paulatina e a perspectiva de dar cor e forma a um sonho imaterial que vai deixando tudo mais empolgante. É como uma tela em branco. Ela pode ser ótima, ter as dimensões certas, o material perfeito, mas é quando você começa a pintar que aquela obra realmente toma corpo e te fascina. Acho que é por isso que nossos pais nunca “terminam” suas casas. Há sempre uma pincelada a mais a dar. E a verdade é que a medida que você visita novos apartamentos seu cérebro começa a fazer uma rápida perspectiva mental de como sua vida se encaixaria nesse novo espaço, como você pintaria o quadro de sua vida nessa tela encontrada. É como um tour virtual do futuro e é aí que você se vê, de fato, morando ali ou não.

Para nós, a sensação mais próxima a isso aconteceu logo em nosso primeiro apartamento visitado. Depois de uma vasta pesquisa na internê, selecionamos uns 3 ou 4 e fomos ligando para agendar. Marcamos dois para um sábado pela manhã e logo no primeiro que entramos, pimba! Curtimos! Nos vimos morando lá. Frequentando aquela vizinhança, cortando os poucos quarteirões e indo a pé para o trabalho, decorando nossa sala de estar, cozinhando na cozinha apertadinha. Numa escala de pontos que começa do “incrível!”, passa pelo “ok” e vai até o “não rola”, nada ficou abaixo do tolerável. Bom começo. Mas era só o primeiro. Não podíamos sair fechando com o primeiro que achamos. Então deixamos ele em stand by e fomos procurar por novos.

Em outras visitas, outros argumentos. Uns bons, outros ok. Um muito bom, mas também muito acima de nosso orçamento. E sempre com a referência do primeiro. Depois de quase uma dezena e de dias varrendo os zapmóveis da vida decidimos pelo que vimos lá no início da procura. Incrível. O primeiro. Gostamos de pensar que era pra ser o nosso.

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Depois da papelada regularizada (manda documento, preenche contrato, colhe assinatura, pede certidão, registra no cartório…!) pegamos a chave. A ansiedade já era grande e no último sábado, enfim, enchemos o carro de badulaque, uns presentinhos aqui, uns negocinhos ali e fomos pela primeira vez ao nosso apartamento, vendo-o, finalmente, como nosso lar pelo próximo período de nossa vida. E essa sensação é indescritível.

A estrutura ainda é mínima (só tem a cama e hoje chega o sofá \o/), o eco ainda ressoa pelas paredes de cômodos completamente vazios, o chuveiro e o armário ainda precisam de um reparo, mas tudo isso é diminuído pelo sentimento forte de construção de um sonho em conjunto. De algo completamente seu. Mas totalmente nosso.

E de repente, nosso eixo de rotação mudou 180 graus. Lojas de arquitetura e decoração entraram em nosso radar, de modo que se antes meu Facebook era lotado de anúncios distintos, agora o algoritmo do Tio Mark só mostra promoções da Etna, Magazine Luiza e afins. É um novo universo, que assume a prioridade de um lugar que nunca existiu. E estamos adorando descobri-lo juntos.