A triste história de uma menina da moda

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Veja só você. Não é mais a menina de olhar encabulado por baixo de um cabelo encaracoladamente lindo que, anos mais tarde, mudaria para um liso escorrido por fazer mais o estilo padrão da moda na época.

O sorriso fácil também já não vem com a mesma generosidade de outrora. Hoje, anda escondido atrás de suas roupas de marcas, que marcam quase tudo e só mostram o que não importa, já que o sorriso era (esse sim) sua marca mais reveladora. E talvez a mais atraente.

Também já não é mais aquela menina que se perdia nos cantinhos do quintal com um livro na mão. E que depois que terminasse esse, fugiria com outro e mais um. Porque, ora, hoje não há mais tempo para livros. O pouco tempo livre que a “maturidade” lhe permite é gasto em musculação, dietas e corridas que não te levam a lugar algum, mas que você não deixa de percorrer, afinal, entre os olhos que te vê, mais vale uma manequim 36 do que 10 vezes esse número em livros na estante.

É triste, menina, mas por favor, me diga. Onde foi que a moda maquiou e escondeu toda aquela verdade que te fazia brilhar de um jeito diferente, e exatamente por isso, tão bonito de se ver? Onde foi que você abriu mão de sua personalidade e vendeu sua alma em busca da mais idiota perfeição pregada em comerciais de shampoo? Onde foi que você desistiu de ser única e foi atrás de um padrão que não padroniza corpos, mas que enjaula mentes?

Onde foi, menina, que você deixou de ser você e se transformou em um produto barato da sociedade do espetáculo e do descartável, com preço e prazo de validade?

 

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Não chore, menina. Sei que a verdade nem sempre é tão sedutora quanto a mentira florida que eles insistem em te contar. Sei também que na sociedade em que você vive dizer o que se pensa está fora dos padrões, mas alguém tem que te fazer enxergar. Quebrar essa casca de superficialidade que você vestiu pensando agora estar arrasando, quando na verdade nunca esteve tão cafona. Simplesmente, porque não ser você é o mais alto nível da breguice. E se maquiar de aparências é perder a única coisa que de fato tem algum valor. Muito maior do que suas grifes caras é o quanto vale sua identidade, menina. Aquela que não é formada em esteira de produção e vendida em araras na liquidação. Aquela que não é marcada por modismos temporários e empurrada goela abaixo para a massa de consumo. Aquela que não busca um padrão industrializado, mas que admira o alternativo, o menos convencional e o único. É essa a moda que você precisa seguir, menina. Aquela que faz com que seu sorriso seja eterno na mente de alguém que te chame por amor, apenas por ser “diferentemente especial”. Seja diferente, menina. E se tiver que agradar a algum padrão ou a alguém, agrade a si própria, porque ser feliz consigo mesma jamais estará fora de moda.