Juntos por conveniência – Até quando?

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Com 10 anos de namoro temos uma boa consciência das voltas que o relacionamento dá. Realmente, não é pouco tempo. “Uma vida”, dizem alguns. E é verdade. (Dia desses eu e Lu conversando pensamos que se tivéssemos tido um bacuri no início do namoro, o moleque já teria 9 anos, estaria maior do que eu, me aporrinhando atrás de um celular e já de olho nas novinhas por aí). E durante todo esse tempo passamos por fases e fases. Períodos em que a relação foi questionada, outros em que nosso modo de levar a vida foi repensado e épocas em que a paciência foi mais importante até do que o amor que sentíamos um pelo outro, mas nunca passamos por um momento no qual o relacionamento fosse mantido único e exclusivamente por um fator externo que não a nossa vontade recíproca em estarmos juntos. Porque, sinceramente, se um dia esse momento tivesse chegado, teríamos escolhido seguir caminhos diferentes.

Períodos de instabilidade são normais em todo o relacionamento de verdade. Nos longos, ainda mais, já que outros fatores vão se agregando à medida que a relação evolui. E é justamente nessa etapa que nasce uma das maiores armadilhas na vida de qualquer ser humano: o comodismo.

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É fato, quanto maior o tempo com a pessoa, maior o envolvimento entre as partes. E isso abarca muito mais do que apenas a questão sentimental. Aqui, pessoal, profissional, familiar e comportamental vão se misturando e se intensificando. O que era só uns pegas sem compromisso evolui, o tesão cede espaço à paixão e aquele sentimento de desapego egoísta onde você não está “nem aí” se transforma em pronome possessivo com P maiúsculo com o início do namoro. Daí em diante, entra a adaptação das rotinas e desejos diferentes, os amigos dele que viram seus amigos, a família dela que vira sua família. O tempo vai aumentando e com isso cresce a expectativa de todos em cima da consumação do que parece inevitável. Tal expectativa é tão grande que te leva a acreditar que essa deva ser também SUA expectativa e nesse ponto, você pode nem estar mais tão a fim, que e daí?! Já estão juntos há tanto tempo mesmo, vocês se conhecem bem, (inclusive os defeitos), você investiu tanto nessa pessoa e agora já não parece mais tão nova para tentar alguém diferente. Além disso, sempre existe o medo de não encontrar uma companhia melhor, ou ainda estar há tanto tempo fora do mercado que não sabe mais paquerar. Suas famílias e colegas já lhes reconhecem como casal e para complicar ainda foram convidados em dupla para apadrinhar aquele outro par de amigos. Enfim, são tantas as desculpas para a manutenção da “falsa” zona de conforto que o comodismo parece mesmo o melhor caminho. (Parece!). E aí está você, mantendo um relacionamento social por conveniência, com N motivos externos que não justificam a única e derradeira verdade absoluta de uma relação, a que dita que um casal deve, antes de tudo, querer estar junto por livre e espontânea vontade.

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Parece absurdo, mas o número de pessoas que permanecem nesse caminho não é pequeno. Talvez isso seja culpa do estereótipo preconceituoso da nossa cultura que bate palmas para um casalzinho de mãos dadas, mas que ainda olha atravessado para um homem ou mulher solteiros aos 35. Se nunca tiver sido casado então, é gay! Bobagem! Meu Deus, que bobagem!

Não consigo me imaginar “preso” à Lu por conveniência. Mesmo porque não vejo conveniência nenhuma em estar preso. Além disso, NÃO é melhor estar em uma relação infeliz do que estar feliz solteiro. E não me venha com essa de que você jamais encontrará uma pessoa melhor, porque não existe ninguém melhor ou pior, existe sim quem melhor se encaixará com aquele momento da sua vida. Que poderá durar 60 dias ou 60 anos. E definitivamente, não é porque não foi eterno que foi ruim. Pelo contrário. Pode ter sido maravilhoso e mesmo assim ter passado. Acontece. Keep going. Mude e continue. Mas não amarre em alguém que não vale mais a pena a sua única chance de ser feliz. Mesmo porque, convenhamos, quem foi que disse que só se pode ter um grande amor na sua vida?

 

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