Talvez o amor seja talvez

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talvez

 

Como definir o amor? Machado uma vez disse que a melhor definição do amor não vale um beijo. E com isso eu só posso concordar. Como decifrar o mais enigmático dos subjetivos sentimentos da vã alma humana? Aliás, por que perder o seu tempo com isso? Não vale um tostão furado, quanto mais um beijo. A definição, é claro. O amor vale por demais. Mas me intriga a mania em querer empacotar em um molde o único sentimento que não deveria ser um verbete dentro de um dicionário, mas ser o próprio dicionário.

Sempre parti do princípio que pra cada um existe um amor. E, portanto, não há fórmula já que a receita agiria de forma diferente em cada paciente. Se você ama de doer um felizardo que teve a honra de roubar pra si seu coração, e adora cantar isso aos quatro ventos, ótimo, faça, grite!, porque pra você o amor é isso, mas não fique triste se o parceiro não fizer o mesmo. Não é porque ele não te disse que te ama a cada 60 minutos que ele não sinta, mas simplesmente porque sua forma de amar possa ser diferente e nesse caso talvez goste mais de mostrar do que dizer.

Porque se para Camões o amor é fogo que arde sem se ver, para mim é um quebra cabeça que vai se encaixando com peças diferentes. Não é algo que vem pronto, “simplesmente amei”, mas que é construído com a união de outros anseios que a você são importantes. Um exemplo: para mim a evolução desse sentimento maior passa necessariamente pelo caminho da admiração. Todas as pessoas amadas por esse pobre coração foram antes admiradas  – em sua maioria por seu conhecimento e determinação, valores que pessoalmente valorizo – e embora ache dificílimo amar quem antes não foi admirado, aceito que o amor não escolhe e que os motivos para lhe causar tal apreço sejam diametralmente opostos aos meus. (E talvez aí você descubra que Clarice tinha razão e que já era amor antes de ser, nos levando a questionar quem nasceu primeiro. Foi a admiração que brotou o amor ou o amor que regou a admiração? Como todo problema do coração, vai saber…)

Talvez nesse hospício de definições que não definem coisa alguma, certo mesmo estava o mais são dos filósofos. “Há sempre alguma loucura no amor.” E há de se ter. Não é possível que o mais belo fruto da árvore de Adão possa conter tamanho sofrimento retratado todos os dias. Ou talvez até possa, considerando que seja esse um sentimento evoluído demais para nossa pseudosabedoria compreender e por isso talvez, como uma criança na iminência de andar troquemos passos tão trôpegos e incertos, uma hora amando de morrer, outra matando por amor.

E se Nietzsche perdeu tempo e juízo nesse dilema indissolúvel que só se torna mais confuso, eu que não farei o mesmo. Seguirei vivendo-o a minha forma, não querendo compreendê-lo, já que mentes mais brilhantes já tentaram e não conseguiram, mas respeitando as diferentes formas de apreciá-lo, que são muitas e saborosas. Nesse labirinto de caminhos em que se perder talvez seja bom, seguirei buscando a paz de um coração amado, e se não for pedir muito, morrer como Quintana, o homem que morreu de amor, mas continuou vivendo.

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Estilo a dois

6 Comments

  1. Parabéns, meninos! Que texto mais poético e que nos faz perceber como o amor é maravilhoso e único para cada um de nós! Sem rótulos!
    Ameiiiiiii as citações, principalmente da minha querida Clarice! #soufã
    Arasaram!!!!

  2. Adorei o texto!! E por favor, se alguém descobrir o significado ou a fórmula, não me contem…prefiro seguir descobrindo um amor todos os dias rsrs
    “Amar sem interrogação, sonhar com reticências, viver sem ponto final.”(Charles Chaplin)
    Bjss

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