Trash – A Esperança Vem do Lixo | Um filme para refletir

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Figura1

 

Começou sem grande expectativa, afinal era um filme de aparência nacional (já começa daí o preconceito) com uma história próxima do clichê que protagoniza o cinema brasileiro – policial corrupto, favelado ladrão – e terminou com a certeza de que fomos ao cinema assistir a um dos melhores filmes do ano, com uma trama instigante e uma história deliciosamente emotiva e reflexiva.

Trash – A Esperança Vem do Lixo conta a história de Gardo, Raphael e Rato, 3 garotos que vivem em um grande lixão do Rio de Janeiro. A história começa com José Ângelo, personagem de Wagner Moura que durante uma perseguição policial joga sua carteira na caçamba de um caminhão de lixo.  No lixão, Raphael, um dos três adolescentes protagonistas, encontra a carteira preciosa com informações que provocam uma verdadeira caça ao tesouro, envolvendo política, corrupção, esperança e redenção. Nessa busca pelas informações dispostas na carteira, o trio passa por inúmeras adversidades, entre elas a polícia liderada pelo capacho do poder Selton Mello.

Embora dirigido por Stephen Daldry e roteirizado por Richard Curtis, o filme apresenta uma grande identidade tupiniquim. A prova disso está nos diálogos cheios de gírias e expressões verossímeis com o ambiente retratado. A direção de arte, com cenas passadas no lixão também são impressionantes e a forma como essa realidade, tão distante, mas ao mesmo tempo tão próxima foi apresentada me deixou verdadeiramente chocado. Aquilo é um mundo e é inimaginável que pessoas ainda morem nele.

 

Figura2

 

Contudo, apesar do grande alarde pela primeira filmagem com os dois principais astros do cinema nacional juntos – Wagner Moura e Selton Mello, foram os três garotinhos escolhidos para viver os protagonistas do filme que roubaram a cena. Em geral, não sou de me emocionar em filmes, pois entendo aquela como uma obra de ficção e entretenimento e a valorizo dessa forma, porém em vários momentos de Trash a emoção bateu forte. As dificuldades vividas pelos personagens (sinceramente, só o fato de ver a condição de vida dessas crianças já é profundamente tocante), o ritmo intenso da busca, as cenas fortes de violência e principalmente a cumplicidade e amizade entre eles provocam uma grande descarga emocional que vale a pena ser sentida.

Crítica, técnica e chatisticamente falando, esse não é o melhor filme que já vi, pois em alguns momentos apresentam algumas inconsistências e buracos na história. Mas como obra que cumpre aos desejos humanos por um entretenimento que lhe desperte alguma forma de sentimento, esse é sim um dos filmes mais tocantes que assisti. Uma peça que na pior das hipóteses o fará refletir um pouco depois de sair da sala do cinema. E se o filme conseguiu isso, meu amigo, ele já valeu o custo do ingresso.

 

 

 

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Estilo a dois

6 Comments

  1. Não sou fã de filmes nacionais, justamente pq acho um exagero desnecessário o uso das “gírias e expressões verossímeis com o ambiente retratado”, e todos os filmes nacionais ou ambientados por aqui são assim, favelados, corruptos, drogados, um monte de palavrão, então me cansa…acho mais do mesmo. Ahh…e tbm não sou fã do Wagner Moura kkkkk
    Maaasss gostei do que vcs disseram sobre a arte do filme, sobre reflexão e emoção…vou pensar melhor em assistir 😉
    Bjoss

    • Oi Fê. De fato ele é um filme clichê, considerando o padrão nacional. Fala exatamente disso. Mas diferentemente dos outros como Tropa ou Cidade de Deus, esse tem um componente emotivo maior. Existe a violência e a guerra à corrupção, mas não acho que seja essa a principal mensagem. Experimente. No máximo vc irá perder 2 horinhas que podem ser usadas como chamego no namorado no cinema. rsrs
      Um beijo.

  2. Meninos, verdade. Porque será que os filmes nacionais tem sempre que ser quase iguais? haha Mas enfim, esse parece ser bem interessante, fiquei curiosa.
    Ah e como não admirar o Selton né?
    Beijo
    Luise

    • Hahaha, são si, Lu. Não foge do clichê, mas a mensagem final é um pouco diferente. Embora fale de violência, corrupção e etc etc etc, fala mais da história de parceria e cumplicidade entre três garotos do morro. Tocante por isso. Faça o tira teima e depois nos fale.
      Um beijo.

  3. Apesar de saber dos clichês dos filmes brasileiros, eu sempre sou umas das primeiras a ir ao cinema assistir! Afinal somos brasileiros e devemos contribuir para que o cinema nacional cresça e apareça não é mesmo?
    Mais falando desta última trama, foi um filme que realmente mostrou até onde vai a ambição do ser humano, e ao mesmo tempo mostrou também o quanto a amizade é indispensável na vida da gente! Fiquei “in love forever” por aqueles três garotinhos, queria tirar eles daquela vida e levar pra minha casa! *-*
    Amei a crítica de vocês! Ta tudo lindo por aqui… beijooos

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